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O
clube foi denunciado por incidentes na partida contra o
Atlético-MG, na Arena
A guerra de bastidores entre Atlético e Santos, líder e
vice, respectivamente, do Brasileiro, deverá custar ao
Rubro-Negro a perda de um mando de campo na reta final da
competição. O clube foi denunciado ontem pela procuradoria
do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), com base
no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva –
deixar de prevenir ou reprimir desordens em seu estádio – e
será julgado até sexta-feira pelos auditores do tribunal.
A denúncia foi feita com base em imagens da partida contra o
Atlético-MG, no último dia 2 de outubro, na Arena (5 a 0
para os donos da casa). As cenas – exibidas à exaustão no
programa Terceiro Tempo, da TV Record, anteontem – mostram
dois momentos em que objetos foram arremessados no gramado
pelos atleticanos.
O caso não foi denunciado imediatamente porque Bozzano não
relatou na súmula. No documento, o árbitro qualificou como
"boa" a conduta do público. Somente após as imagens e o
lobby do programa – que, no momento, contava com a
participação por telefone do presidente do STJD, Luiz
Zveiter – a procuradoria formulou a acusação.
"Depois das imagens, não tinha como deixar de fazer a
denúncia", afirmou à Gazeta do Povo o procurador-geral do
STJD, Paulo Schmitt. No mesmo despacho, Bozzano foi
denunciado por não relatar os incidentes.
"Ele (Bozzano) teve que se esquivar de rolo de papel
higiênico e disse que a conduta da torcida foi boa?",
questionou ele.
Segundo Schmitt, o caso é similar ao que custou ao Santos
dois mandos de campo. No primeiro turno, o Peixe havia sido
punido com uma partida por um caso similar. Como o Atlético
não foi denunciado nenhuma a vez no artigo 213 desde que o
CBJD entrou em vigor, no dia 1.º de janeiro de 2004, a
tendência, diz o procurador, é que o clube receba a pena
mínima.
"O único atenuante seria se o torcedor que atirou os objetos
no gramado fosse repreendido imediatamente", ressaltou
Schmitt. Esta atitude livrou o Botafo de ser punido por
incidentes no jogo contra o São Caetano, em Caio Martins.
Até o início da noite de ontem, a diretoria do Atlético não
havia sido informada oficialmente da denúncia. O presidente
do clube, João Augusto Fleury, deixou transparecer que a
defesa será baseada no comportamento da torcida que ele
considera bom e no fato dos objetos arremessados ao gramado,
na sua opinião, não serem capazes de ferir ninguém.
O dirigente mostrou-se preocupado com o fato do clube ir a
julgamento ainda nesta semana, mais de oito dias antes do
jogo com o Inter (30), o próximo do clube em casa. A data
respeitaria o prazo determinado pelo estatuto do torcedor
para a mudança do local da partida. "Não vejo razão para
essa celeridade", afirmou.
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